Línguas francas e línguas gerais

Quando uma língua acaba sendo mais difundida do que as demais e torna-se o meio de comunicação mais usado é chamada pelos especialistas de língua franca. Ela permite que povos com diferentes culturas e línguas consigam se comunicar.

A língua Tukano, que pertence à família Tukano Oriental, é um exemplo. Ela tem uma posição social privilegiada entre as demais línguas dessa família, porque se converteu em língua franca da região do Alto Rio Negro. Há casos em que é o Português que funciona como língua franca.

Já em algumas regiões da Amazônia, por exemplo, diferentes povos indígenas e populações ribeirinhas falam o Nheengatu, a Língua Geral Amazônica, para conversar entre si.

O que é o Nheengatu?

A Língua Geral Amazônica, ou Nheengatu (ie’engatú = “língua boa”), foi desenvolvida entre os séculos XVII e XVIII, no que é hoje o Maranhão e o Pará, a partir da língua Tupinambá. Falada em uma enorme extensão da costa brasileira O idioma serviu como meio de dominação religiosa exercida pelos portugueses durante a colonização, expandindo-se pela Amazônia junto com as missões, chegando até a alcançar as fronteiras com a Colômbia e a Venezuela! Isso aconteceu entre os séculos XVII e XVIII, no Maranhão e no Pará.

Aos poucos, o uso dessa língua intensificou-se e generalizou-se de tal forma que, a partir do início do século XVIII, ele acompanhou a expansão portuguesa na Amazônia, estendendo esse uso a todo o vale do rio Amazonas e afluentes. Subindo pelo rio Negro, o Nheengatu alcançou também a Amazônia venezuelana e colombiana.

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A língua foi aprendida por grande parte dos colonos e missionários, e foi ensinada aos indígenas nos aldeamentos através da catequese. O Nheengatu foi a língua mais falada na Amazônia durante todo o período colonial. Ao longo dos séculos, o Nheengatu passou por muitas transformações, mas continua sendo falado atualmente. Deixou influências tanto no português como nas línguas indígenas da região. Nos dias de hoje, essa língua geral é falada, especialmente na região do Rio Negro, por povos como os Baré e os Arapaso.

Língua Geral Paulista

Em São Paulo existiu outra língua geral que teve sua origem na língua dos povos Tupiniquim de São Vicente e do planalto de Piratininga, no atual Estado de São Paulo, que era um pouco diferente da língua dos Tupinambá. No século XVII, já era falada pelos exploradores dos sertões, conhecidos como bandeirantes. Por intermédio deles, a Língua Geral Paulista penetrou no interior de São Paulo, em Minas Gerais, sul de Goiás, Mato Grosso e norte do Paraná.