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Povos da Terra: saberes indígenas, ciência e educação para o bem viver

Atividade interdisciplinar: História; Biologia; Artes; Química 

 

Justificativa: A atividade rompe a barreira disciplinar ao unir História (arqueologia, fontes históricas, cultura material indígena), Biologia (fertilidade do solo, biodiversidade, etnobotânica), Artes (oficina de argila, grafismos) e até Química (carbono na Terra Preta). Essa abordagem permite que os estudantes percebam que o conhecimento indígena é integral e não compartimentado, integrando diferentes áreas para resolver problemas concretos, como manejo sustentável e clima.

 

Duração: 5 aulas distribuídas ao longo de um semestre letivo. 

 

Descrição da proposta pedagógica:

 

Idealizada pela historiadora e professora de História Monyque Brandão e com auxílio da professora de Biologia Glauciane Lima, a disciplina eletiva Povos da Terra: Memória, Matéria e Ciência foi proposta para aproximar os estudantes das histórias, culturas e saberes indígenas da Amazônia por meio da arqueologia, da biologia e do uso de fontes históricas. O objetivo é valorizar os povos originários como produtores de conhecimento científico e cultural, articulando história e ciências naturais em atividades práticas e reflexivas.

Foram realizadas aulas sobre Terra Preta de Índio, cerâmica amazônica, etnobotânica e clima, sempre com estratégias ativas: análise de imagens, leitura de fontes, produção artística (cartazes, desenhos), oficinas de argila e simulação de escavações arqueológicas.

Na prática, os alunos colocaram “a mão na terra”, recriando a Terra Preta com carvão, matéria orgânica e argila; analisaram fragmentos e desenharam padrões inspirados na cerâmica marajoara e tapajônica; criaram cartazes sobre “rios voadores” e mudanças climáticas; e estão produzindo um e-book sobre os povos indígenas.

A proposta nasceu da necessidade de tornar vivo o ensino da Lei 11.645/2008, mostrando que os saberes indígenas não são do passado, mas parte de soluções atuais para desafios ambientais e sociais.

 

Aplicação Lei 11.645/2008: A atividade responde diretamente à Lei 11.645/2008 ao valorizar histórias e culturas indígenas por meio da arqueologia e da biologia. O tema central é a relação entre povos da Amazônia, saberes tradicionais e ciência, abordando práticas como a criação da Terra Preta, o uso medicinal e ritual das plantas e a cerâmica. A proposta evidencia que povos indígenas produziram conhecimentos sofisticados sobre manejo ambiental, saúde e tecnologia, reconhecendo-os como sujeitos históricos e científicos.

 

Interculturalidade: A eletiva promove diálogo entre culturas ao valorizar o saber tradicional indígena e relacioná-lo ao conhecimento científico ocidental. O olhar dos naturalistas europeus do século XVIII sobre a flora amazônica foi comparado ao uso indígena das plantas, mostrando diferentes formas de interpretar o mundo. Os alunos perceberam como os saberes indígenas dialogam com práticas atuais de sustentabilidade e saúde, reafirmando a interculturalidade como caminho para a aprendizagem.