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Raízes da cultura, sementes que contam histórias: as sementes e o artesanato do povo Tapeba

Proposta pedagógica de Ana Paula da Rocha
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Etapa de ensino: Ensino fundamental - Anos Finais

Modalidade de ensino: Educação Escolar Indígena

Atividade interdisciplinar: História; Sociologia; Geografia; Ciências; Artes; Língua Portuguesa

Justificativa: O diálogo com a História e a Sociologia aparece na valorização da memória, da ancestralidade e da cultura indígena; com a Geografia e as Ciências, nas práticas de mapeamento, reflorestamento e estudos sobre biodiversidade; com a Arte, na confecção de adornos e no resgate da estética tradicional; e, com a Língua Portuguesa, na produção de registros, entrevistas e materiais educativos. Ao unir saberes científicos e saberes tradicionais, a atividade rompe os limites disciplinares e constrói uma aprendizagem significativa, baseada na vivência prática, na valorização dos saberes ancestrais e do território como espaço de ensino e aprendizagem.

Duração: Dez aulas, entre os meses de abril/maio; incluiu replantio na Retomada do Açudinho na Jandaiguaba como parte do projeto

Descrição da ação pedagógica

A atividade pedagógica foi proposta a partir da observação da escassez de sementes e da necessidade de aproximar os estudantes da realidade ambiental e cultural do povo Tapeba, valorizando os saberes tradicionais e refletindo sobre os impactos do desmatamento e da urbanização no território.

O objetivo central foi promover a conscientização sobre a importância das espécies nativas que fornecem sementes utilizadas na confecção de adornos tradicionais do povo Tapeba, fortalecendo a identidade cultural e estimulando a preservação ambiental, com foco na aldeia Jandaiguaba, onde a escola está inserida.

Para isso, foram desenvolvidas estratégias que integraram teoria e prática: rodas de conversa com troncos velhos (anciões) e artesãos para compartilhar histórias e conhecimentos sobre as sementes; registro das espécies mais utilizadas no artesanato tapeba; mapeamento das árvores nativas ainda presentes na aldeia; criação de viveiros com mudas; além da realização de mutirão de plantio envolvendo estudantes, professores, comunidade e representantes de organizações do povo Tapeba. Na prática, os encontros ocorreram em momentos coletivos de diálogo e escuta, seguidos de atividades de campo para observação, coleta e plantio.

Os estudantes participaram ativamente, fazendo registros, entrevistando os mais velhos, auxiliando na produção das mudas e no plantio das árvores. A cada etapa, uniram-se o conhecimento científico e o saber tradicional, fortalecendo vínculos intergeracionais e criando um ambiente de aprendizado significativo. Assim, a atividade se concretizou como um processo educativo que uniu preservação ambiental, identidade cultural e protagonismo estudantil. Nossos parceiros, Parque Botânico, Instituto do Meio Ambiente de Caucaia (IMAC), Secretaria Estadual do Meio Ambiente e Mudança do Clima (SEMA), foram essenciais, nos ajudando com doação de mudas e palestras.

Como a ação pedagógica se relaciona com a Lei 11.645/2008?

A atividade dialoga com a Lei 11.645/2008 por valorizar e inserir na prática pedagógica a história e a cultura indígena, reconhecendo os saberes do povo Tapeba como fonte legítima de conhecimento. Ao promover rodas de conversa com os mais velhos, catalogar sementes e resgatar tradições ligadas ao uso de adornos, a ação integra formas de ensinar próprias das comunidades indígenas, baseadas na oralidade, na observação da natureza e na transmissão intergeracional. O tema principal da atividade é a preservação das espécies nativas e o fortalecimento da identidade cultural por meio das sementes utilizadas no artesanato tradicional. Assim, articula memória, meio ambiente e cultura, tornando a escola um espaço de valorização da ancestralidade e de construção de uma educação contextualizada, em sintonia com os direitos assegurados pela Lei 11.645.

Interculturalidade presente na ação pedagógica

A interculturalidade está presente na proposta, pois promove o encontro entre os saberes tradicionais do povo Tapeba e os conhecimentos escolares. A cultura indígena se faz presente nas rodas de conversa, no uso da oralidade, na transmissão às novas gerações e na confecção de adornos a partir das sementes. Já a cultura escolar e científica se expressa no mapeamento ambiental, na catalogação das espécies e na produção de materiais educativos. O diálogo entre essas diferentes formas de conhecimento não se dá de modo hierárquico, mas em complementaridade, valorizando tanto a ciência quanto a ancestralidade. Dessa forma, a atividade reconhece que a educação ganha sentido quando integra múltiplas culturas, respeitando a diversidade e fortalecendo a identidade indígena em diálogo com o mundo contemporâneo.