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Campos do Cristal encontra Anhetenguá: um caminho para aldear o currículo

 

Proposta pedagógica da Bruna

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Abordagem Pedagógica: Intercultural, Visita a território, Jogos e Produção coletiva.

Atividade interdisciplinar: com potencial para envolver todos os componentes curriculares

Justificativa: Ao realizarmos um trimestre inteiramente dedicado ao tema da cultura indígena, pudemos envolver as diversas áreas para construção de conhecimentos. Nas turmas de Educação Infantil e Anos Iniciais do Ensino Fundamental, o trabalho foi integrado entre as professoras de referência e as substitutas, com auxílio do Espaço Educativo Afro-Brasileiro e Indígena para oficinas e aulas especiais, enquanto no Ensino Fundamental - Anos Finais, todas as áreas e professores especializados precisaram se integrar para o desenvolvimento do projeto. O resultado foram trabalhos coletivos desenvolvidos pelas turmas, com contribuições de todas as disciplinas.

Duração: A atividade da Mostra Cultural Indígena aconteceu durante um dia letivo, em dois turnos escolares. No entanto, para sua realização foi necessário um trimestre inteiro de trabalho dedicado à temática indígena.

Descrição da proposta pedagógica

A Mostra Cultural Indígena é uma iniciativa desenvolvida anualmente pela EMEF Campos do Cristal, uma escola pública municipal situada na zona periférica de Porto Alegre. Dentro da Rede Municipal de Ensino de Porto Alegre, temos a existência dos Espaços Educativos Afro-Brasileiros e Indígenas (EEABIs), um programa para promoção da Educação para as Relações Étnico-Raciais (ERER). Com este recurso, conseguimos multiplicar e qualificar as abordagens que visam combater um currículo embranquecido e eurocêntrico, ao valorizar a pluralidade cultural e de conhecimentos afro brasileiros e indígenas.

Se a cultura negra e afro-brasileira é muito presente em nossa comunidade e conseguimos desenvolver sua inserção no cotidiano escolar, a cultura indígena, por sua vez, costumava estar mais distante de nossa realidade. Nossa escola está situada em contexto urbano, sem comunidades indígenas nas proximidades e, em termos de autodeclaração étnico-racial, não temos estudantes autodeclarados indígenas. Portanto, elaboramos como objetivo e compromisso a ampliação da conexão de nossa comunidade escolar com os conhecimentos indígenas, promovendo a valorização dos povos originários, o conhecimento sobre sua história e cultura, o combate ao racismo e o aprendizado com os saberes tradicionais.

Deste modo, temos desenvolvido todo ano uma Mostra Cultural Indígena, produzida pelas 21 turmas e mais de 400 estudantes de nossa instituição. Os trabalhos são elaborados ao longo do primeiro trimestre e sua culminância se dá com a coletivização dos resultados de pesquisa em uma grande feira, geralmente no mês de maio. A Feira acontece durante dois turnos na escola, conta com apresentações artísticas, de pesquisas e trabalhos produzidos pelas turmas. Além disso, contamos com a presença da comunidade indígena Guarani Mbya Anhetenguá, situada na cidade de Porto Alegre, com que temos ampliado o contato e intercâmbio de conhecimentos. Para desenvolver estes objetivos tão amplos, integramos toda a escola num esforço coletivo de aprofundamento de saberes, de modo que cada turma se dedica a uma temática específica, podendo ser o artesanato, a demarcação de terras, a musicalidade, estudos de biografias, para citar alguns exemplos.

A edição de 2025 da Mostra Cultural Indígena demonstrou diversos avanços em relação à edição anterior, sendo um ponto de destaque a interculturalidade. Neste ano, conseguimos desenvolver uma relação de maior proximidade com a aldeia indígena Anhetenguá, da etnia Guarani Mbya, situada na Lomba do Pinheiro, no município de Porto Alegre. Buscamos contato com as lideranças da comunidade e iniciamos um trabalho em conjunto. Fizemos duas visitas à aldeia Anhetenguá, conhecendo a comunidade e sua escola indígena, conversando com o cacique, explorando momentos de jogos e brincadeiras entre as crianças. Além disso, representantes da aldeia foram nossos convidados de honra na Mostra Cultural, que participaram da visitação aos trabalhos, tiveram conversas com as turmas e fizeram apresentações culturais.

A partir deste contato e troca entre saberes e culturas, acreditamos que este ano concluímos o objetivo de promover maior interculturalidade na prática.

Como a ação pedagógica se relaciona com a Lei 11.645/2008?

A Mostra Cultural Indígena é uma resposta à demanda de aplicação da Lei 11.645/2008, e corresponde a uma tentativa de ampliar os conhecimentos, a valorização, o respeito e o diálogo com comunidades indígenas. Ao realizarmos um diagnóstico da escola em relação à Educação para as Relações Étnico-Raciais, percebemos uma lacuna histórica e estrutural na abordagem dos povos indígenas, ou ainda, a permanência de uma visão estereotipada e ultrapassada nesta abordagem. Deste modo, nosso principal objetivo é aplicar a legislação, ao incluir, de forma transversal e integrada ao currículo escolar, a presença, resistência, contribuição e relevância dos povos originários brasileiros.

Interculturalidade presente na ação pedagógica

A interculturalidade está presente a partir da parceria com a aldeia indígena Anhetenguá, da etnia Guarani Mbya, situada na Lomba do Pinheiro, no município de Porto Alegre.