
Etapa de ensino: Ensino fundamental - Anos Finais
Modalidade de ensino: Educação Escolar Indígena
Atividade interdisciplinar: Matemática; Física; Química; História; Geografia
Justificativa: A partir da construção da maquete da Opy, abordamos conteúdos de Matemática (medidas, geometria), Física (estrutura, pressão, vento), Química (misturas, estados físicos e transformações no fogo), além de História e Geografia (território, cultura, saberes ancestrais). O diálogo entre essas áreas ocorreu de forma integrada e contextualizada, demonstrando como os saberes estão interligados, conectando-se na prática e na vivência. Dessa forma, a atividade rompe com os limites tradicionais das disciplinas escolares ao promover uma aprendizagem que valoriza o conhecimento indígena e o articula com os conteúdos curriculares, respeitando os modos próprios de ensinar e aprender do povo Guarani Mbya.
Duração: A atividade foi realizada respeitando os ciclos dos saberes tradicionais e desenvolvida em aulas alternadas, totalizando aproximadamente um mês e meio até sua conclusão.
Descrição da ação pedagógica
A atividade pedagógica desenvolvida foi a construção de uma maquete da Opy (casa de reza), envolvendo conhecimentos da Matemática, das Ciências da Natureza e das Ciências Humanas (CH). A ideia surgiu em diálogo com a professora de Ciências Humanas da escola, que propôs a construção de uma maquete. Considerando a importância da Opy para o povo Guarani Mbya, decidimos construí-la em escala reduzida.
A Opy é o coração da tekoa, onde ocorrem reuniões, fortalecimento da educação e da espiritualidade, nhemongarai, rezos, consagração do milho, entre outras atividades. Tudo na comunidade passa pela Opy, pois é o momento de conexão. A maquete foi uma forma de passar esse conhecimento para as crianças, unindo oralidade e prática. O processo respeitou os saberes da espiritualidade, os ciclos da lua e da construção.
Os estudantes buscaram os materiais na mata no período de lua cheia, pedindo permissão à mãe natureza e aos espíritos protetores da natureza. Além disso, aprenderam sobre a direção da porta e da janela, e o motivo de usar barro e palha. Na prática, eles começaram a aprender matemática, usando-a para fazer as medições do material e da estrutura, além da geometria. Os alunos também visitaram a Opy para conhecer sua estrutura, participaram de rezos e dança e consagraram a Nhanderu Tupã e Nhandesy Ete.
Com isso, compartilhamos os saberes tradicionais e espirituais do povo Guarani Mbya. Nas aulas de História e Geografia, discutiram o contexto histórico, o conceito de território e pontos geográficos. Também, introduziram conceitos de física e química, abordando temas como vento, estrutura, pressão, misturas, estados físicos da matéria e transformações químicas no fogo.
Como a ação pedagógica se relaciona com a Lei 11.645/2008?
A atividade se relaciona diretamente à Lei 11.645/2008, pois seu tema principal foi a Opy e sua importância para o povo Guarani Mbya, incluindo os saberes sobre sua construção. A proposta valorizou a prática, a oralidade, os ciclos da natureza e a espiritualidade, que são formas tradicionais de ensinar e aprender na cultura Guarani. Ao envolver os estudantes na construção da maquete da Opy, a atividade integrou práticas pedagógicas que respeitam os modos indígenas de transmissão do conhecimento, promovendo a escuta, a observação e o fazer coletivo. Também possibilitou discutir a verdadeira história dos povos indígenas, marcada por resistência e territorialidade, fortalecendo a identidade, a cultura e a língua guarani mbya. Assim, a atividade concretizou os objetivos da lei, valorizando os saberes e as narrativas indígenas no ambiente escolar.
Interculturalidade presente na ação pedagógica
A interculturalidade visa promover a convivência harmoniosa entre diferentes culturas. Na atividade relatada, a educação escolar alia-se à educação indígena guarani mbya, interagindo em condições de igualdade. O encontro entre as culturas acontece quando em uma mesma prática são abordados os conhecimentos indígenas do povo Guarani, trazendo o aprendizado ancestral e sagrado, e os conhecimentos tipicamente ocidentais do mundo jurua (não indígena) das disciplinas escolares. Dessa forma, a atividade pedagógica promoveu um encontro entre culturas, no qual essa situação de encontro/confronto de narrativas e conhecimentos diferentes pôde promover aprendizados, interação, compreensão e respeito mútuo.
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Encontro indígena: cultura, lutas e resistência - a experiência do CIEJA Campo Limpo