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Vozes da Floresta: um chamado para um novo amanhã

Proposta pedagógica de Cristiana Butel
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Justificativa: Ao abordar os povos indígenas, os alunos estudaram sua história e suas lideranças, analisaram obras literárias como, Futuro Ancestral, de Ailton Krenak, relacionaram toadas de bois-bumbás à cultura indígena e expressaram suas aprendizagens por meio de dança, teatro, pintura, apresentações artísticas e produções textuais. Essa abordagem rompe os limites tradicionais das disciplinas ao promover troca de saberes, vivências práticas e reflexões culturais, conectando conteúdo teórico e experiências criativas. Os estudantes não apenas aprenderam fatos históricos, mas também vivenciaram a cultura, a ancestralidade e os modos de ensinar indígenas, tornando a aprendizagem mais significativa e transformadora.

Duração: A atividade envolveu todos os anos do Ensino Médio e foi realizada ao longo de um mês, totalizando, aproximadamente, de 10 a 12 aulas, entre leituras, seminários e apresentações.

Descrição da proposta pedagógica

A atividade pedagógica surgiu da necessidade de trabalhar o tema “Povos Indígenas: Ontem e Hoje”, presente na grade curricular, de forma ativa, coletiva e interdisciplinar, envolvendo toda a comunidade escolar. O objetivo principal foi promover o conhecimento, a valorização e o respeito pelos saberes indígenas, articulando literatura, artes, música, dança e teatro, estimulando a troca de conhecimento entre os alunos.

Nos primeiros anos, utilizamos a obra O Futuro Ancestral, de Ailton Krenak, permitindo que os alunos conhecessem a trajetória do autor, suas ideias sobre a vida e o mundo, e refletissem sobre a preservação ambiental e os direitos dos povos originários. Foram realizadas leituras coletivas, debates e produções textuais que relacionaram toadas e apresentações dos bois-bumbás com os pensamentos de Krenak.

Nos segundos anos, organizamos seminários e apresentações, incentivando a pesquisa e o debate sobre culturas e saberes indígenas, estimulando a expressão oral e artística.

Nos terceiros, cada grupo de alunos estudou uma liderança indígena: Davi Kopenawa, Daniel Munduruku, Ailton Krenak, Márcia Kambeba, Trudruá Dorrico e Eliane Potiguara, apresentando sua história e pensamento por meio de dança, teatro, poesia e pintura em telas. Os alunos também tiveram a oportunidade de se conectar diretamente com Márcia Kambeba, que, ao atender gentilmente um convite feito por eles, enviou um vídeo compartilhando um pouco de sua trajetória e agradecendo o interesse da turma.

A prática proporcionou engajamento de todos os alunos, valorizou a cultura indígena, fomentou o protagonismo estudantil e resultou em uma aprendizagem significativa, conectando passado, presente e futuro dos povos originários de forma viva, criativa e coletiva. Todas as apresentações foram realizadas no auditório da escola com a presença de todos os alunos e professores.

Como a ação pedagógica se relaciona com a Lei 11.645/2008?

A atividade se alinha à Lei 11.645/08, que garante o ensino da história e cultura dos povos indígenas nas escolas. Seu tema principal, “Povos Indígenas: Ontem e Hoje”, permitiu aos alunos vivenciarem histórias, saberes e formas de ensinar indígenas, integrando literatura, música, dança e teatro. Por meio de leituras de Ailton Krenak, análise de toadas de bois-bumbás e apresentações artísticas, os estudantes conheceram lideranças indígenas contemporâneas e sua relação com a ancestralidade, a natureza e a luta por direitos. A prática promoveu respeito, valorização cultural e protagonismo estudantil, aproximando os alunos da diversidade e riqueza dos povos originários de forma ativa e significativa.

Interculturalidade presente na ação pedagógica

A atividade é intercultural porque promoveu um diálogo entre a cultura escolar e as múltiplas culturas que compõem a Amazônia, valorizando a diversidade de saberes e modos de vida. Ao estudar lideranças indígenas, como Ailton Krenak, Davi Kopenawa, Márcia Kambeba, Trudruá Dorrico e Eliane Potiguara, os alunos refletiram sobre ancestralidade, defesa da terra, relação com a natureza e resistência cultural. Esse diálogo se ampliou ao integrar expressões regionais, como as toadas dos bois Garantido e Caprichoso, símbolos do Festival Folclórico de Parintins, além de referências a práticas de quilombolas e ribeirinhos, que também constroem a identidade amazônica. Por meio da literatura, música, dança, oralidade e pintura, os estudantes vivenciaram um processo formativo que fortaleceu o respeito, a valorização da diversidade e a compreensão de que diferentes culturas podem conviver, dialogar e transformar a escola em um espaço de reconhecimento e partilha de saberes.