
Etapa de Ensino: Educação Infantil
Atividade Interdisciplinar: História; Geografia; Artes; Ciências; Língua Portuguesa
Abordagem Pedagógica: Decolonial, Oralidade e escuta, Transmissão intergeracional e Jogos/brincadeiras.
Justificativa: A atividade é interdisciplinar ao integrar História, Geografia, Artes, Ciências e Língua Portuguesa. Por meio do estudo dos povos indígenas, as crianças exploram territórios e culturas (Geografia e História), praticam artes com argila e tintas naturais (Artes), aprendem sobre plantas medicinais e meio ambiente (Ciências) e desenvolvem a oralidade e leitura com histórias e cantos tradicionais (Língua Portuguesa). Essa abordagem rompe a fragmentação das disciplinas escolares ao conectar saberes em um contexto significativo, promovendo um aprendizado holístico, valorizando saberes ancestrais e fortalecendo o diálogo entre diferentes formas de conhecimento, integrando teo ria e prática no cotidiano escolar.
Duração: O projeto durou quatro meses, com atividades diárias que integraram o cotidiano da turma, respeitando os tempos coletivos e individuais da educação infantil, sempre guiadas pelos interesses das crianças.
Descrição da proposta pedagógica
O projeto foi criado após ouvir o questionamento de uma mãe, que comentou que a escola estava “chata” por não pintar o rosto das crianças ou colocar cocares no Dia do “Índio”. Esse incômodo me levou a refletir sobre como romper com estereótipos e práticas folclorizadas, criando experiências mais significativas, respeitosas e contínuas sobre os povos indígenas.
Os objetivos foram: descolonizar e decolonizar o olhar; romper com estereótipos; valorizar os saberes ancestrais e as diferentes formas de ser indígena; mostrar que o trabalho com os povos originários deve acontecer o ano todo. Como estratégia, partimos do interesse das crianças, relacionando natureza, território, memória, brincadeira e cultura viva.
Iniciamos com o povo Pankará, apresentando imagens da Serra do Arapuá, da casa de farinha, da escola e da anciã mais idosa. Conhecemos o caroá, o toré e o maracá, e cantamos: “Pisa Ligeiro”, “A Coan” e “Passarinho”. Lemos o livro de Chirley Pankará, modelamos potes com argila e produzimos tintas naturais para pintar no papel pardo. Compartilhei memórias da minha infância com sementes, pedras, folhas e gravetos — elementos ressignificados pelas crianças em suas brincadeiras. Plantamos ervas medicinais e criamos o livro Plantas que curam e conectam gerações, com relatos familiares.
Visitamos o Museu das Culturas Indígenas, fizemos piquenique no Parque da Água Branca e pesquisamos sobre o uso do cocar entre diferentes povos. Criamos um quadro coletivo, debatendo o respeito às culturas. Finalizamos com uma manhã de chá e autógrafos: cada criança assinou sua página do livro enquanto as famílias escutavam e partilhavam memórias.
Como a ação pedagógica se relaciona com a Lei 11.645/2008?
A atividade se relaciona diretamente com a Lei 11.645, que institui a obrigatoriedade do ensino da história e cultura afro-brasileira e indígena nas escolas brasileiras. O projeto Diversidade dos Povos Indígenas valoriza as múltiplas formas de saber, ensinar e aprender desses povos, rompendo com estereótipos e abordagens folclóricas. A partir do estudo do povo Pankará e a aproximação com outros povos, as crianças vivenciam a cultura indígena de modo respeitoso, por meio da oralidade, do contato com a natureza, das práticas tradicionais como o toré, o uso das ervas medicinais e a arte com barro e tintas naturais. Assim, o projeto fortalece a valorização da diversidade cultural, resgata saberes ancestrais e promove o diálogo intergeracional, cumprindo o que determina a lei.
Interculturalidade presente na ação pedagógica
A atividade é intercultural porque promove o diálogo entre diferentes culturas, valorizando a diversidade dos povos indígenas, principalmente o Pankará, e outros povos apresentados durante o projeto. As crianças tiveram contato com saberes ancestrais, práticas tradicionais, como o toré, o uso do maracá, a produção de artesanato e o cultivo de plantas medicinais. Além disso, houve a troca entre as vivências indígenas e as memórias pessoais das crianças, ressignificando elementos naturais em brincadeiras e histórias. Essa interação fortalece o respeito, a compreensão e a valorização das culturas indígenas e amplia a percepção das crianças sobre a pluralidade cultural presente na sociedade.
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Vozes da Floresta: um chamado para um novo amanhã