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Mulheres que tecem a história: biografias de lideranças indígenas femininas

Proposta pedagógica de Talita Yosioka Collacio
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Justificativa: As lideranças indígenas femininas estudadas são exemplos de luta para a valorização de seus povos, territórios e culturas. Assim, por meio do estudo do gênero do discurso “biografia”, é possível realizar atividades interdisciplinares entre Língua Portuguesa, História, Geografia e Ciências, abordando as lutas dos povos indígenas pela educação (Madalena Paraguaçu) e pela saúde (Jaqueline Haywã), pela terra e pela preservação do meio ambiente (Tuíre Kayapó), pelo resgate da história indígena por meio da toponímia dos rios da região (Silvia Muiramomi) e pela ocupação do espaço público de debate e decisão (Sonia Guajajara e Joenia Wapichana), lutas essas que transcorrem desde a ocupação do território brasileiro pelos portugueses.

Duração: Dez aulas de 45 minutos: três aulas para biografias e debate; duas aulas para confecção de painel; três aulas para a palestra da Cacica Jaqueline Haywã; duas aulas para leitura de poemas autobiográficos.

Descrição da proposta pedagógica

A atividade pedagógica intitulada “Lideranças indígenas femininas” teve por objetivo estudar as biografias de mulheres indígenas atuantes na defesa dos direitos de seus povos. O tema se justifica na medida em que histórias e vidas indígenas são ofuscadas no debate público, acarretando a invisibilização das identidades e das lutas desses povos, sobretudo no que tange à liderança indígena feminina. Para atuar em face a isso, o gênero do discurso “biografia” foi estudado nas aulas de Língua Portuguesa da Educação de Jovens e Adultos a partir das histórias de lideranças indígenas femininas.

Assim, no Dia Internacional da Mulher Indígena (5 de setembro), os estudantes assistiram a vídeos sobre a vida de Sonia Guajajara, Tuíre Kayapó, Joenia Wapichana e Silvia Muiramomi, e leram a história de Madalena Paraguaçu Caramuru. Na sequência, debateram sobre a importância da atuação de cada mulher indígena em sua comunidade e as razões pelas quais muitas dessas lideranças são desconhecidas do grande público.

O documentário biográfico Reconstruindo a História foi trabalhado mais detalhadamente, com o intuito de repertoriar os estudantes para uma palestra presencial com a Cacica Jaqueline Haywã, pertencente ao Pataxó Hã Hã Hãe e atuante na região do ABC Paulista, onde se localiza a escola. A biografia de Silvia Muiramomi também foi selecionada por ser ela uma liderança indígena local.

Em seguida, construímos um painel interativo, cujo objetivo era identificar as imagens e biografias das lideranças indígenas femininas, que estavam em placas suspensas, e encaixá-las no painel fixo, o qual continha nome, data de nascimento e atuação. O painel foi proposto para difundir as biografias para os estudantes do período diurno (Educação Infantil e do Ensino Fundamental).

Como a ação pedagógica se relaciona com a Lei 11.645/2008?

A Lei nº 11.645 de 2008 altera o artigo 26-A da Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) para incluir nos currículos das redes de ensino a obrigatoriedade de estudar as histórias e culturas indígenas. No que tange ao componente curricular Língua Portuguesa, o §2º do artigo 26-A da LDB faz menção à presença do tema sobretudo no ensino de literatura. No entanto, consideramos que tais temáticas também podem ser abordadas no estudo dos gêneros do discurso e, por assim entendermos, propusemos a atividade acerca do ensino do gênero do discurso “biografia” com base nas histórias das lideranças indígenas femininas, a fim de valorizar diferentes culturas e identidades, bem como de reconhecer as lutas das mulheres indígenas na defesa dos direitos humanos. Desse modo, atende-se ao que preconiza a Lei 11.645/2008, bem como às diretrizes curriculares nacionais e municipais, no que concerne ao estudo do gênero do discurso “biografia”, integrante do campo de atuação artístico-literário, no Ensino Fundamental 2.

Interculturalidade presente na ação pedagógica

A atividade proposta é intercultural, uma vez que promove o respeito à diversidade e a valorização de povos e culturas indígenas. As lideranças indígenas femininas selecionadas para o estudo do gênero do discurso “biografia” pertencem a diferentes povos, localidades, períodos e áreas de atuação. Essa diversidade desmistifica a ideia de que os indígenas vivem em regiões isoladas ou que eram numerosos apenas no período da ocupação pelos portugueses, em 1500. Ademais, a palestra presencial da Cacica Jaqueline Haywã colaborou para a personificação de uma liderança indígena feminina, aproximando e florescendo o sentimento de empatia dos estudantes. Ao trazer a Cacica para falar sobre sua própria história, reforçou-se a presença das populações indígenas nos meios urbanos, desconstruindo estereótipos e ressaltando o diálogo possível com as lutas indígenas, bem como o direito à coexistência entre todos os que são cidadãos da República Federativa do Brasil.