Como valorizar as línguas indígenas?

Os povos indígenas no Brasil e no mundo têm procurado jeitos de valorizar e fortalecer suas línguas.

Um desses jeitos é através da escola. Antes de conquistarem o direito de criar suas próprias escolas nas aldeias e de ensinar as suas línguas, os povos indígenas, por muito tempo, foram obrigados a falar o português. As crianças e jovens indígenas eram punidos quando falavam suas línguas nas escolas ou internatos criados por instituições não indígenas em diferentes momentos da história do país.

Depois de muita luta pelo reconhecimento dos direitos indígenas, esse quadro mudou. Hoje muitas escolas indígenas, construídas nas próprias aldeias, são formadas por professores indígenas e lá as crianças podem aprender a ler e escrever em suas línguas nativas.

Outro jeito de fortalecer as línguas indígenas é por meio de iniciativas relacionadas à pesquisa, documentação e registro escrito ou audiovisual de suas línguas e dos saberes que elas fazem circular. É o que alguns povos, como os Yawanawá, os Kanoê e os Paresi, têm feito com o apoio do Projeto de Documentação de Línguas Indígenas, do Museu do Índio/Funai.

A imagem a seguir é do encarte de um livro feito pelos Paresi sobre as narrativas antigas de seu povo que poderá servir como material didático em suas escolas.


Canção Kawaiwete

Veja essa canção de autoria de Wyra, Awasiuu, Tome e Jamanary do povo Kawaiwete que vive em Terras Indígenas no estado do Mato Grosso.

Os versos a seguir falam sobre a importância de se valorizar o idioma Kawaiwete.

Kawaiwete ramũ Nós Kawaiwete
Jane jemu’ei Nós estamos estudando
Aipore pe Na Aiporé
Jare je’enga re Sobre a língua
Simuja’jaw Para colocar
Ka’arana re no papel
Jare je’nga jaw Sobre a língua
Kawaiwete Kawaiwete
Si mamuakat Para reforçar
Jare je’enga jaw nossa língua
Kawaiwete ramũ Nós Kawaiwete
Jare je’enga jaw Sobre a língua


Campeonato na Língua Paumari

Os Paumari vivem no sul do estado do Amazonas e falam um idioma da família linguística Arawá. A partir da década de 2000, os Paumari enfrentaram transformações relacionadas à educação escolar nas aldeias que levaram a uma crescente desvalorização da sua língua. Os pais foram deixando de falar o idioma Paumari com os filhos e com o passar dos anos surgiu uma nova geração que não conhece essa língua e que se distanciou dos saberes de seu povo, transmitidos através do idioma indígena.

Essa situação criou uma ruptura entre as gerações: de um lado, os mais velhos, fluentes na língua indígena, e de outro, os adultos e jovens, que passaram a valorizar mais o português e a cultura urbana não-indígena. Outro fator que tem influenciado o abandono do seu idioma é a inexistência de escolas diferenciadas, isto é, escolas que realmente respeitem o modo de viver dos Paumari e que tenham à sua disposição materiais didáticos elaborados especialmente para essa cultura.

Para enfrentar a desvalorização da língua e a discriminação que sofrem nas cidades mais próximas de suas aldeias, os professores Paumari decidiram promover ações de fortalecimento do seu idioma, incentivando o interesse das novas gerações e aproximando os jovens dos mais velhos e dos conhecimentos do povo Paumari.

Em 2014, foi organizado um evento chamado de Campeonato da Língua Paumari que reuniu um grande número de pessoas das mais diferentes aldeias. Nesse encontro, os Paumari dividiram-se em times e cada um deles apresentou uma história da sua mitologia. Havia uma única regra: falar na língua indígena sem usar uma só palavra em português. Para contá-las ao público, os times produziram cartazes e desenhos, fizeram a leitura de textos e também pode-se ouvir os relatos orais dos mais velhos. À noite, foram organizados concursos de cantos na língua Paumari que também ajudaram a aproximar as diferentes gerações. Essa competição virou uma grande festa!

Assista ao vídeo do Primeiro Campeonato da Língua Paumari

Essa experiência deu tão certo que, em 2015, os Paumari realizaram o Segundo Campeonato da Língua Paumari na aldeia Santa Rita, Terra Indígena Paumari do Lago Marahã, na beira do Rio Purus, no Amazonas. A história vencedora da competição foi transformada em um desenho animado produzido pelos próprios Paumari que é falado na língua indígena e legendado em português.

Confira a animação Basori Varanihini Hida (A história do boto cor-de-rosa: a origem das plantas cultivadas), baseada na apresentação do grupo Jirikavahari da aldeia Ilha da Onça.


Recadinhos

Francine Moreira Barbosa qui, 19/04/2018 - 08:35

oiiiiii gosto muito de povos

oiiiiii gosto muito de povos indígenas

João Pimentel Filho sab, 14/04/2018 - 21:11

nao entende os comentarios

nao entende os comentarios sao moderados por que ., Nao devemos dizer a nossa verddade?

João Pimentel Filho sab, 14/04/2018 - 21:07

pena que a funai nao

pena que a funai nao gosta de indio , os tratam como objeto sem e importancia . Falo com conhecimento de causa.!!!

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